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Comentário do Assessor Nacional à Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2015



Partindo de um versículo da carta de Tiago, o Papa Francisco, exorta-nos ao fortalecimento do coração e recorda-nos, uma vez mais, neste «tempo favorável» (cf. 2Cor 6, 2) da Quaresma, a “obrigação” de enfrentar a atitude egoísta da «indiferença». Isto é, “encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença”.

Ora “a Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho [...] E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). […] Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo”.

Tendo em vista esta renovação, o Santo Padre, propõem-nos três textos para meditarmos:

1. «Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros» (1 Cor 12, 26): A Igreja.

Diz-nos o Papa: “A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença”. E na Igreja, enquanto «comunhão dos santos», “aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação”.

2. «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9): As paróquias e as comunidades

O Santo Padre conclui este ponto da mensagem com um desejo: “que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!” Por isso, propõem-nos as seguintes perguntas: nas paróquias, comunidades cristãs, movimentos e grupos, “consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc 16, 19-31)?”

Ora, para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direcções:

  • Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu na oração. 
  • Em segundo lugar, atravessando o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos.

E conclui: “A Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens. Esta missão passa pelo testemunho de Jesus que quer conduzir todos a Deus, a denúncia do mal e ver no próximo, o irmão e a irmã por quem Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a humanidade inteira”.

3. «Fortalecei os vossos corações» (Tg 5, 8): Cada um dos fiéis

Recorda-nos o Papa que, também como indivíduos, temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência?

  • Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração.
  • Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe.
  • Em terceiro lugar, converter-se a um percurso de “formação do coração”. Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro.

E conclui esta mensagem manifestando o desejo de rezar connosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Pois, “teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença”.

Uma Santa Quaresma para todos!

Pe. Fernando Soares, CM
(Assessor Nacional da JMV)

 

 

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA 2015

 

ESQUEMAS DE MEDITAÇÃO DA VIA SACRA

 

 

Pensa um pouco:

"Um homem por caridoso que seja, se não for humilde, não terá caridade; e sem caridade, ainda que tenha bastante fé para transportar montanhas, ainda que desse os seus bens aos pobres e o seu corpo ao fogo, tudo lhe seria inútil."

S. Vicente de Paulo

(Coste XII, 210)

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